segunda-feira, 28 de setembro de 2015



HISTÓRIA DE SALVADOR


Salvador foi a primeira capital do país até o ano de 1763. Chamada na época de sua fundação por “São Salvador da Bahia de Todos os Santos”, a cidade passou a ser descoberta pelos colonizadores no ano de 1510, quando um navio francês naufragou em terras baianas, trazendo a bordo um dos mais importantes personagens históricos da colonização baiana, Diogo Álvares, conhecido como Caramuru. Juntamente com a índia Paraguaçu, Caramuru desempenhou importante papel dentro da história da colonização da Bahia. Por volta de 1536, o rei de Portugal, D João III dividiu as terras brasileiras em Capitanias Hereditárias. Os donos das Capitanias eram chamados de donatários e Francisco Pereira Coutinho ganhou parte da território de Salvador, fundado na época como “Arraial do Pereira”. Coutinho teve o comando do Arraial, mais tarde batizada de “Vila Velha” até 1549 na ocasião da chegada de Tomé de Souza, o primeiro governador geral do Brasil. Juntamente com Tomé de Souza desembarcaram em Salvador seis embarcações com uma comitiva de aproximadamente 10 mil pessoas para fundar sob ordens do rei de Portugal, a cidade de “São Salvador”. Após o governo de Tomé de Souza, governaram o país Duarte da Costa e Mem de Sá, que teve o comando do país até 1572.


Neste período a Bahia era a região que mais exportava açúcar, considerado na época o produto mais exportado do país. A fama e a riqueza da província baiana, despertaram a cobiça de outros países no início do século 17. Nestes tempos Portugal estava unido com a Espanha, colocando várias restrições ao Brasil como, o impedimento do país em firmar relações comerciais com a Holanda. Este fato, ligado a riqueza desencadeada pela exportação do açúcar, fez com que a Holanda resolvesse invadir a Bahia. Uma esquadra comandada pelo holandês Jacob Willekens, chegou às terras baianas em 1624 com 26 navios. Neste período foi construída em Morro de São Paulo a Fortaleza de Tapirandu, uma importante estratégia para defender a Baía de Todos os Santos. Os invasores holandeses ocuparam Salvador e permaneceram por cerca de um ano até serem expulsos pela força luso-espanhola. 



Salvador foi capital e sede da administração colonial do país até o ano de 1763, quando a sede do império foi transferida para a cidade do Rio de Janeiro. Apesar da mudança da sede da Coroa, Salvador continuou a se destacar dentro do cenário de colonização do país e anos depois na fase de independência do Brasil, em 1822, a capital baiana protagonizou uma luta que se arrastou por mais de um ano, mesmo após o Brasil ficar independente de Portugal. Somente no dia 2 de julho de 1823, a Bahia pôde comemorar a independência brasileira. 



Em 16 de novembro de 1889 foi proclamada a República na Bahia, pelo coronel Frederico Cristiano Buys. O primeiro governador eleito baiano foi Joaquim Manuel Rodrigues Lima (1892-1896). Após veio a administração de Luís Viana (1896-1900), quando ocorreu um dos mais marcantes episódios baianos, a guerra de Canudos. 

De 1908 a 1911, a Bahia foi governada por João Ferreira de Araújo Pinho, que teve que renunciar ao mandato antes do término devido a uma crise política desencadeada neste período. Na ocasião Joaquim Seabra, ministro da Viação no governo de Hermes da Fonseca, governou o estado baiano até 1916. O governo de Seabra foi marcado pela urbanização da cidade de Salvador. No ano de 1920, Seabra tentou eleger-se novamente, mas sofreu uma forte oposição. Em 1920, o governo brasileiro decretou a intervenção no estado e os anos seguintes foram marcantes em territórios baianos e brasileiro, devido acontecimentos mundiais como a Segunda Guerra Mundial.

ORIGEM DO BAIRRO DA LIBERDADE (século XIX)

Nesse século os bairros eram divididos em freguesias: a Liberdade pertencia a freguesia do Santo Antonio Além do Carmo, criada pelo Bispo Dom Pedro da Silva Sampaio em 1646.

Naquela época, os chefes das famílias patriarcas a maioria pardos eram artesãos, cujos filhos que não faziam a mesma atividade eram chamados de estudantes.

Seus habitantes tinham inclinação para a lavoura. Nessas freguesias encontrava-se muitos libertos e escravos ocupados em serviços de lavouras e das roças.

BAIRRO DA LIBERDADE (Década de 20)


A Liberdade chamava-se estrada das boiadas, era uma bairro com areia, e tinha esse nome porque ali passavam as boiadas que vinham de Feira de Santana passando por Pirajá, para descer a areia do canto da Cruz a caminho do matadouro retiro.

Foi pela estrada das boiadas que o exercito nacional adentrou salvador, passando pela lapinha, soledade alcançando Santo Antonio Além do Carmo, pelourinho, terreiro de jesus e praça municipal.

Isso aconteceu no dia 2 de julho de 1823, que o exercito nacional emtrou em salvador pela estrada das boiadas, e com isso o bairro passou a ser chamado de Liberdade.

A maioria das pessoas que trabalhava na matança eram descedentes de escravos.

A Liberdade era um imenso areal, quando chovia os bondes costumavam descarrilar. Quem colocou calçamento na liberdade, foi Otávio Mangabeira, Antonio Carlos Magalhães foi outro que fez muito pelo bairro da liberdade.

A LIBERDADE NOS TEMPOS ATUAIS

A Liberdade possui uma população de 400 mil habitantes, sendo um dos bairros mais populares de Salvador. Nele encontramos uma vida comercial e financeira independente, com uma rede de bancos e infinidades de lojas na via principal, a Av. Lima e Silva.

A identidade negra é bastante presente no local que abriga grupos afros como: O vulcão da Liberdade; o Muzenza e o Ylê Aiyê. O bairro é considerado como a maior contingencia de pessoas negras no Brasil.









ENTREVISTA COM MORADORES DO BAIRRO DA LIBERDADE

Moradora da travessa Guaíba, liberdade
Nome: Mª lindinalva de Oliveira
idade: 68 anos
estado civil: Solteira
natural de Aracaju-Sergipe

1- Há quantos anos a senhora mora na Trav. Guíba?

R: há 45 anos.

2- Como era a rua quando a sr veio morar aqui?

Era uma rua arenosa, que tinha um córrego que divida a rua, de um lado era considerado liberdade, do outro caixa d´agua. Os dois lados eram separados por pontes. hoje é uma rua asfaltada graças ao vereador Manuel Castro. 

3- Essa rua tem acesso a vários comércios?

R: sim. é uma rua variedades de comercio.

4- E o saneamento Básico é como?

R: pouco precário, porem a rua esta toda asfaltada, só quando chove que fica ruim, como todas as ruas de Salvador.

5- tem uma boa iluminação?
R; sim.  a iluminação é excelente.


6-Por que a senhora veio morar em Salvador com a sua família?
R. Porque eu morava com minha família na periferia de Aracaju no ano de 1970. A cidade de Aracaju naquela época era pouco desenvolvida e emprego era muito difícil. Meus irmãos eram todos açougueiros e não conseguiam trabalho lá. Como alguns amigos deles já tinham vindo para Salvador e encontrado emprego com certa facilidade, meus irmão decidiram tentar a sorte e viemos para Salvador.


7- Qual é a profissão da senhora?
R. Sempre fui dona de casa, nunca trabalhei fora. Meu trabalho era cuidar de meus pais, dos meus irmãos, enfim do meu lar. Mas, não me arrependo disso, hoje minha vida é ótima, sem ser casada, sou aposentada e vivo fazendo crochê para amigos, parentes e irmãos da Igreja Batista que frequento.


8-  E seus pais e irmãos como estão atualmente?
R. Meus pais já morreram e quatro irmãos também. Só tem vivos três dos meus irmãos.


9- A senhora mora há 45 anos nessa rua. Tem alguma perspectiva de se mudar daqui ou até mesmo voltar para sua terra natal?
R. Não. Gosto muito daqui e só vou sair daqui quando morrer. Tenho parentes em Aracaju e minha irmã mora em Feira de Santana, posso viajar para essas duas cidades, quando quiser. Sou uma pessoa livre, posso voar como um pássaro.









O QUE CHAMA ATENÇÃO NA LIBERDADE
Projeto Educacional Ilê Aiyê
O Projeto do Centro Educacional Ilê Aiyê (Mundo Negro) foi formado em 1974 por um grupo de jovens do Curuzu, bairro da Liberdade em Salvador, Bahia.

Plano Inclinado

O bairro da Liberdade está situado no alto do planalto que divide Salvador em Cidade Alta e Cidade Baixa, religadas por meio do Plano Inclinado. A melhor opção para quem tem curiosidade de conhecer o bondinho ou precisa fazer uso do transporte, ainda é utilizar o Plano Inclinado da Liberdade, que faz ligação com o bairro da Calçada. 







REFERENCIAS:

NASCIMENTO, Anna Amélia Vieira. Dez Freguesias da cidade de Salvador. Aspectos Sociais e urbanos do século XIX. Salvador, FCEBA/EGBA, 1986.

SENA, Consuelo Pondé de Sena; ROLIM, Angelina; TEIXEIRA, Cid; MOREIRA, Zilah; BENEVIDES, Nete; BORGES, Jafé e Glaúcia. Salvador era assim. Instituto Geográfico da Bahia.

SILVA, Célia Luz. A cidade de Salvador nos seus 450 anos. Salvador: EDUNEB 2005.


TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia- 6° edição revisada e ampliada- São Paulo: Ática (Brasília).



5 comentários:

  1. Parabéns Josenildes pelo belo trabalho. força mulher! gosteo do blog.

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  2. Muito interessante conhecer a história do bairro da Liberdade, meus pais moraram aí na década de 80 e as histórias orais realmente coincidem com o conteúdo postado. Parabéns, pois, trazer peculiaridades sobre cada pedaço de nossa cidade com certeza enriquece e fortalece a cultura das comunidades!

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  3. Parabéns pela iniciativa de contar a história de um bairro tão rico e maravilho chamado Liberdade. Esse trabalho precisa ser divulgado. Parabéns!

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  4. Parabéns pelo blog. Muito interessante saber sobre o bairro da Liberdade, saber relatos dos moradores do local. Este bairro efervescente dinâmico, que pulsa.
    Um abraço

    Marineide Rocha

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  5. Adorei seu blog.A leitura foi muito enriquecedora, pois completou os conhecimentos que tinha acerca do bairro, o qual conheço um pouco, adoro o comércio diversificado, além de ter amigos e alguns parentes que residem no local.Toda vez que passo de ônibus pela rua direta lembro que estou passando pela "Estrada das Boiadas".Parabéns!

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